24/02/2019

Os lobos do Alto Minho em perigo de desaparecimento

O Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) é uma unidade de pesquisa em ciências biológicas pertencente à Universidade do Porto. Um dos projetos do CIBIO baseia-se na monitorização do lobo-ibérico (Canis lupus signatus) e teve inicio em 2006. Os resultados do projeto obtidos no inicio do mês de fevereiro deste ano são preocupantes, indicando que no Alto Minho existem apenas 6 alcateias com cerca de 30 lobos no total.
A bióloga Mónia Nakamura, que participa ativamente no projeto, explicou ao Semanário V que existem duas subpopulações de lobo-ibérico:
  • Subpopulação a norte do rio Douro - Constituída por 54 alcateias, entre as quais se encontram as 6 alcateias do Alto-Minho, compostas por entre 4 a 8 lobos cada;
  • Subpopulção a sul do rio Douro - Constituída por apenas 9 alcateias que se distribuem entre o rio Douro e Viseu.

Em conjunto com outros membros do projeto, a bióloga continua a acompanhar as 6 alcateias que reúnem a população de lobos que habita na zona região do Alto Minho, sendo que cada uma habita perto de uma das seguintes aldeias da região: Soajo, Vez, Peneda, Boulhosa, Cruz Vermelha e Serra de Arga. Mónia Nakamura afirma que as alcateias mais estáveis são as de Soajo, Vez e Peneda. e que as alcateias de Boulhosa e Cruz Vermelha são aquelas que mais correm perigo de desaparecer. A alcateia de Boulhosa é aquela que apresenta menos taxa de reprodução desde o inicio do projeto, em 2006.
Cada alcateia é constituída por um casal reprodutor de lobos e pelas suas crias, sendo que os animais se introduzem numa nova alcateia em pares e, após cerca de três anos, abandonam a alcateia. A alcateia pode ser sucedida pelos descendentes quando estes se tornam adultos.
Em cativeiro, o lobo-ibérico pode chegar até aos 17 anos de idade mas, na natureza, a esperança média de vida é menor, variando entre 6 a 8 anos de idade. "O último cadastro de lobo a nível nacional remota ao ano de 2003.", afirma o Semanário V, pelo que "os lobos registados já desapareceram.". No entanto, os descendentes destes animais continuam a manter as 6 alcateias "vivas". "Um dos objetivos deste projeto consiste em perceber se a perturbação humana afeta mesmo o sucesso reprodutor dos lobos.", afirma Mónia Nakamura. 
No caso da alcateia de Cruz Vermelha, no final do mês de janeiro deste ano, houve uma nova baixa, sendo um dos seus lobos encontrado morto preso a uma armadilha e com um tiro na nuca. A bióloga afirma que esta alcateia havia desaparecido em 1997 mas voltara em 2010 e "tem sido detetada todos os anos, apesar de de estar sob ameaça de voltar a desaparecer." (Semanário V). Mónia Nakamura explica, ainda, que este processo de recolonização é comum e completa: "sabemos que os indivíduos que estão agora na alcateia da Boulhosa e da Cruz Vermelha vieram das de Vez e do Soajo.". 
Lobo-ibérico
Mónia Nakamura explicou, também, que há vários metodologias de monitorização, "sendo que a mais básica passa por tentar detetar rastos e fezes nos percursos habituais das alcateias." (Semanário V). Além disso, muitas vezes os dejetos são aproveitados para a extração do ADN do animal, através do qual se pode conhecer a sua descendência e a qual alcateia este pertence e confirmar a sua espécie (Canis lupus signatus). Foi desta maneira que se contabilizaram os cerca de 30 únicos lobos que, atualmente, habitam o Alto Minho. Outra das metodologias utilizadas para acompanhar os lobos é a "escuta", isto é, o uso de equipamentos que fazem o registo de uivos dos animais, sobretudo das crias, durante o verão: época em que nascem as crias de lobo. Este mecanismo permite detetar as alcateias e confirmar a reprodução desse ano. Em alcateias de difícil acompanhamento resta a monitorização da reprodução dos lobos com as câmaras de armadilhagem fotográfica que, em outras palavras, é a colocação de câmaras fotográficas disfarçadas na natureza. Outra metodologia é, obviamente, a observação. Contudo, o lobo é um animal que raramente se deixa ser observado, pelo que a tarefa é complicada. "Quando um lobo é observado, é porque ele assim quis", afirmou a bióloga. "Os lobos fogem de nós. Acho que são eles a ter mais medo de nós do que o oposto. [...] Se um lobo estiver preso num laço e alguém se aproximar, eles podem sentir-se ameaçados, mas em condições normais, diria que não há qualquer tipo de ameaça ao ser humano", conclui. Os colares GPS também são uma opção e, apesar de constituírem o método que dá informações mais corretas, são difíceis de de implementar, sendo necessário a captura e controlo do animal, além de que a bateria acabará em algum momento. 
Lobo capturado no terreno pela equipa do CIBIO para marcação com colar GPS
Foto: Mónia Nakamura
É bom lembrar que nem todas as alcateias nacionais estão a ser monitorizadas e que, também nessas, ocorrem baixas significativas.
O lobo-ibérico é muito ameaçado na região do Alto Minho, principalmente por se alimentar dos animais domésticos, como vacas e cavalos, dos habitantes da região, visto que constituem cerca de 90% do seu alimento. "O problema principal para a alimentação do lobo na região do Alto Minho é a falta de presas selvagens.", conclui o Semanário V, presas essas que deveriam ser javalis e corsos. Desta forma, os habitantes da região vêem o lobo como um inimigo, procurando abatê-lo. Porém, "desde 1988 que a lei que protege o lobo abrange pagamento de indemnizações pelas mortes dos animais domésticos", esclarece Mónia Nakamura. 
"Em 1930, o lobo era encontrado em quase todo o território do país, ficando agora confinado às zonas de influência do Parque Nacional Peneda-Gêres, ao Parque Natural de Montesinho, ao Parque Natural do Alvão e ainda a Sul do Douro." (Semanário V). Segundo o último censo dado em 2002-2003, existiam cerca de 300 lobos-ibéricos em Portugal, divididos em 63 alcateias. Hoje em dia, no Alto Minho já só restam 30 animais.

12/02/2019

A "beleza ilusória" do aquecimento global nos oceanos

De acordo com o artigo cientifico publicado na revista "Nature Comunications" a 4 de fevereiro de 2019, segundo Anna Hickman, a co-autora da pesquisa da escola de ciências do oceano e da terra da Universidade de Southampton, os oceanos vão apresentar cores mais intensas com o aumento do aquecimento global.
Hoje, venho tentar explicar o porquê deste fenómeno que, por muito bonito que pareça, provoca danos irreparáveis no nosso planeta. 

O aquecimento global corresponde ao aumento da temperatura média terrestre causado pela emissão de gases poluentes (libertados, maioritariamente, ao nível de máquinas e fábricas) na atmosfera. Estes gases poluentes que são libertados na atmosfera vão ser  nela acumulados, provocando o efeito de estufa, isto é, formam uma camada que impede o calor de abandonar a atmosfera terrestre, abafando o planeta. 

O aquecimento global vai provocar grande alterações ao nível dos oceanos, visto que fatores como a temperatura, a acidez oceânica e as correntes oceânicas afetam o crescimento do fitoplâncton - microorganismo que habitam os oceanos e que realizam a fotossíntese, convertendo a luz solar em energia. Estes organismo possuem pigmentos fotossintéticos que dão cor à superfície das águas marinhas onde estes se encontram, nomeadamente a clorofila a ou Chl-a.
É expectável que a temperatura das água marinhas aumente 3ºC até ao ano de 2100 e, caso isto aconteça, a cor de mais de metade dos oceanos será alterada devido ao aumento de fitoplâncton que será consequência do aumento de temperatura.
"Um dos aspetos mais relevantes deste estudo é que a partir de agora os cientistas vão estar ainda mais atentos à cor dos oceanos, encarando-a como um sinal de transformações que estão a ocorrer.", afirma o site "NiT". Contudo, os cientistas não têm a certeza de que estas mudanças de cor dos oceanos sejam visíveis a olho nu. Parece que esta "beleza ilusória" não será assim tão relevante para quem não a observe através de um satélite. "Observar apenas a cor do oceano e como isso vai mudar o futuro, monitorizando-o a partir de satélites, vai-nos dar um sinal de alerta precoce de mudanças", acrescentou a especialista Anna Hickman, pelo que, mais importante do que o oceano manifestar uma cor bonita é o facto dessa cor ser um indicador do aumento do aquecimento global. 

04/02/2019

O novo serviço self-service de água do Pingo Doce

É verdade que a maioria das notícias que são fruto de "conversa" aqui no blog não são propriamente agradáveis. Porém, de vez em quando (muito de vez em quando) o humano porta-se bem e há que partilhar as boas notícias. 
Em abril de 2018, o Pingo Doce divulgou o seu novo serviço que consiste no enchimento de garrafões reciclados e reutilizáveis através de máquinas de água que se encontram nos supermercados. A cadeia de supermercados fez uma parceria com a Eco, uma empresa responsável por vender garrafões reutilizáveis de 3 litros com água filtrada da rede, esterilizando-a e livrando-a de químicos e de sedimentos (incluindo microplásticos), tendo ainda o objetivo de diminuir o consumo de plástico por parte dos portugueses. Como forma de preservação das propriedades da água, os garrafões possuem, ainda, um filtro ultravioleta que protege a água da luz.
Os garrafões Eco podem ser reenchidos num serviço self-service, em dispensadores de água próprios, por apenas 18 cêntimos. Isso mesmo, cada litro custa apenas 6 cêntimos! No entanto, não é possível o reenchimento de outros garrafões além dos garrafões Eco, cujo preço corresponde a 1€, tendo estes de ser adquiridos previamente. 

Os garrafões e dispensadores Eco começaram a puder ser utilizados em 3 dos supermercados Pingo Doce do nosso país - Alvalade, Galhardas e Expo Norte - mas já se encontram disponíveis em 42 supermercados e, até ao final de março deste ano, serão disponibilizados mais 100 dispensadores. 
Segundo o site Meios e Publicidade, a Eco vai investir 5 milhões de euros para, até ao final do ano, ter 500 estações de água em Portugal. O próximo passo é chegar a outros países. 
"Poupe em água de qualidade, enquanto ajuda o planeta" é o mote do serviço que, na minha opinião, traduz muito bem a causa por trás das estações de água. Afinal, se pudemos reduzir o preço da água, um bem essencial e dispensável a todos os seres vivos, de forma a ajudar o ambiente, porque não o fazer? 
É, ainda, muito gratificante saber que este projeto teve inicio em Portugal e que tem tudo para ser adotado noutros países. 

01/02/2019

A microalga tóxica que provoca as marés vermelhas!

A Karenia brevis é uma microalga composta por uma única célula e dois flagelos (apêndices que permitem o movimento das células) que permitem o deslocamento da célula por rotação dos mesmos. 
Temperaturas entre os 22-28ºC, salinidade entre as 25-45 Unidades de Salinidade Prática (PSU) e a presença de nitrogénio orgânico ou inorgânico e compostos de fósforo no ambiente são algumas das condições que favorecem o desenvolvimento das K. brevis. Além disso, quando maior for a quantidade de luz recebida pelas K. brevis, mais elevada é a sua taxa de desenvolvimento, por serem organismos fotossintéticos que utilizam a luz solar para produzirem matéria orgânica, deslocando-se sempre em direção à luz, podendo percorrer 1 metro em 1 hora. 
Pórem, este microorganismo fotossintético que nem é observável à vista desarmada, é responsável por uma das maiores causas de morte de animais marinhos (incluindo mamíferos e aves marinhas) no Golfo do México (EUA) - as marés vermelhas.

Acontece que as K. brevis possuem a capacidade de produzir neurotoxinas (toxinas que atuam no sistema nervoso) chamadas de brevetoxinas. As brevetoxinas provocam problemas gastrointestinais e neurológicos quando entram em contacto com o organismo de vários animais marinhos, podendo mesmo levá-los à morte.
A concentração normal de K. brevis nas águas do Golfo do México é menos de 1000 células por litro de água. Porém, quando este microorganismo se multiplica em quantidades superiores às quantidades produzidas em condições normais, ocorrem as chamadas marés vermelhas, que têm este nome devido aos pigmentos das K. brevis que lhes dão uma cor vermelha. Quando a taxa de reprodução da microalga é elevada, parece que a água se torna vermelha devido à grande abundância dos pequenos organismos vermelhos. 

Um dos maiores desastres causados pelo fenómeno da maré vermelha aconteceu na África do Sul, em 1962, provocando a morte de mais de 100 toneladas de peixes, segundo o site InfoEscolas. 
Em 2006, no Golfo da Florida, ocorreu uma proliferação de K. brevis que se prolongou por um ano e meio, segundo o Diário de Notícias.
Em 2007, no estado da Bahia, no Brasil, ocorreu uma grande floração de K. brevis que provocou a morte de diversas espécies marinhas, atingindo um total de 50 toneladas de animais mortos (segundo o site InfoEscolas).
O mais recente surto de marés vermelhas foi divulgado, em setembro de 2018, pelo Diário de Notícias. A proliferação de K. brevis em mais de 200 quilómetros da costa oeste da Florida provocou a morte de mais de 300 tartarugas, 500 manatins, dezenas de golfinhos, aves marinhas, caranguejos e outros crustáceos, sendo que o peso total dos animais mortos correspondeu a mais de 2000 toneladas. 
O Diário de Notícias afirmou, ainda, que "Estas marés vermelhas tornaram-se sazonais nas águas do golfo, junto à costa da Florida. Pelo menos desde 1950 que se observa a sua ocorrência numa base mais ou menos anual, cuja persistência se intensificou nas últimas décadas.".

Contudo, as marés vermelhas podem, também, ser prejudiciais ao homem, atuando em espécies marinhas típicas de consumo humano. O Envenenamento por Molusco Neurotóxico (NSP) é o nome que se dá à infeção do homem com K. brevis através da ingestão de moluscos infetados com as brevetoxinas, como bivalves e cefalópodes. Os efeitos secundários do NSP assentam em náuseas, vómitos e uma variedade de sintomas neurológicos. Sabe-se, por exemplo, que o consumo de ostras com brevetoxinas provoca a paralisia do homem por até 30 minutos.
Também não é aconselhado ir à praia em períodos de marés vermelhas porque as brevetoxinas podem provocar irritação respiratória e irritação ocular e, além de se encontrarem na água, podem, também, ser libertadas no ar, sendo impulsionadas pela rebentação das ondas junto às praias e rochas.

30/01/2019

O perigo do plástico nos oceanos!

E como eu não seria eu se não trouxesse publicações menos agradáveis com o objetivo de abrir os olhos à humanidade, hoje trago-vos umas quantas noticias sobre plásticos. Exatamente, o maldito plástico que tanto atormenta o nosso planeta e que, de momento, é abundante na natureza (coisa que não deveria acontecer).
Além disso, algumas das noticias que vos trago são um exemplo claro de que o homem só se preocupa após o mal estar feito.

Em janeiro de 2017 deu à costa uma baleia-bicuda-de-cuvier com 6 metros de comprimento na praia de Bergen, na Noruega. O animal  tinha o intestino obstruído com cerca de 30 sacos de plástico e papéis de rebuçados, encontrando-se em grande sofrimento e tendo de ser abatido, segundo o site Conhecimento Científico.
Baleia-bicuda-de-cuvier




Em abril de 2018 foi a vez da baleia macho de 10 metros de comprimento e 6,5 toneladas que deu à costa em Cabo de Palos, Múrcia, em Espanha. Este jovem macho morreu devido a uma inflamação no intestino provocada cerca de 29 quilos de plástico como sacos de plástico, cordas, restos de redes de pesca e, até, um tambor.

Mas estas tristes ocorrências não terminam por aqui...
A 2 de junho de 2018 deu à costa sul da Tailândia uma baleia-piloto gravemente doente e incapaz de nadar e de se alimentar. As autoridades marinhas tailandesas e uma equipa de veterinários estiveram, durante vários dias, a tentar salvar o animal e, durante este período, a baleia vomitou vários sacos de plástico. Esta acabou por morrer e a autopsia revelou que o grande mamífero marinho tinha ingerido mais de 80 sacos de plástico e outros objetos, correspondendo a um total de cerca de 8 quilos de plástico que permaneciam no seu estômago.
Este acontecimento levou o estado a taxar a utilização de plástico.
Baleia-piloto

Mais recentemente, no dia 19 de novembro de 2018 deu à costa sudeste da Indonésia, perto do Parque Nacional de Wakatobi, um cachalote morto, já em estado de decomposição, com cerca de 9,5 metros de comprimento. Muito provavelmente o  animal morreu devido a cerca de 1000 objetos de plástico que foram encontrados no seu estômago, entre os quais foram identificados 115 copos descartáveis, 4 garrafas, 1 par de chinelos, 25 sacos de plástico, entre outros. O peso total dos detritos correspondia a 5,9 quilos de plástico, segundo a WWF (World Wide Fund). 
"Com 260 milhões de habitantes, o arquipélago da Indonésia é o segundo maior responsável pela poluição de plástico nos oceanos", afirma o Portal R7, ficando atrás, apenas, da China. "O país produz 3,2 milhões de toneladas de lixo plástico por ano. Desse total, 1,29 milhão de toneladas vão para os mares.".
Perante esta situação, o governo da Indonésia impôs medidas com o objetivo de reduzir, até 2025, cerca de 70% do uso de plástico por parte da população.
Cachalote

É triste pensar que estas medidas só são implementadas quando os desastres acontecem... Sempre ouvi dizer que "Mais vale prevenir do que remediar"!

Estima-se que, todos os anos, são lançadas ao mar cerca de 8 milhões de toneladas de plástico. Para que seja mais fácil de imaginar, isto corresponde ao despejo de um camião de lixo por minuto. Este valor é bastante preocupante porque muitos animais marinhos como baleias, tartarugas e golfinhos confundem o plástico com as suas presas, ingerindo-o mas não o conseguindo digerir ou expulsar, sendo que este se acumula no estômago e impossibilita os animais de se alimentarem.
Há, ainda, o caso de mamíferos e aves marinhas que mergulham e ficam presos em plásticos, não conseguindo regressar à superfície para respirar, acabando por morrerem afogados.



Devemos pensar seriamente nas consequências dos nossos atos, até porque não há como negar que, neste momento, nós somos o cancro do planeta e vale a pena relembrar que um cancro se alastra e é fatal caso não seja travado.

28/01/2019

Conhecendo Aveiro e arredores

Eu sei, finalmente trago-vos uma nova publicação após tanto tempo!
Antes de mais, quero explicar-vos o porquê do blog ter estado parado neste últimos meses... Em setembro do ano passado entrei no curso de Biologia na Universidade de Aveiro. Tem sido uma experiência incrível mas, como devem imaginar, muito atarefada também. Acontece que, com o estudo e praxes à mistura, os meus tempos livres foram muito reduzidos ao longo do semestre e, por esse motivo, vi-me obrigado a abdicar do tempo que costumava dedicar ao blog.
Mas aqui estou eu de volta e com o objetivo de tentar ser um pouco mais ativo no blog nos tempos livres daqui para a frente.
Agora que foi dada a explicação, vamos partir para o relatório de mais uma das minhas aventuras.

Como podem ler no título, só agora, após o final do semestre, é que fui, realmente, conhecer Aveiro. Sim, porque até agora pouco mais conhecia de Aveiro além do caminho de casa para Universidade e para a Praça do Peixe, o local onde as quintas académicas são mágicas.
Já à algum tempo que o meu padrinho Pedro Esteves, a namorada Cátia Sousa e o nosso caro amigo João Rodrigues queriam visitar Aveiro. Decidi, então, juntar o útil ao agradável e convidei-os para passarem um fim-de-semana na minha casa em Aveiro, a fim de irmos, todos juntos, conhecer a cidade e os arredores. Ah, e claro que não me podia esquecer da pequena Maria Clara, a filha do Pedro e da Cátia, que também nos acompanhou nesta jornada.

Sexta-feira, dia 26 de janeiro de 2019
  • 19:15h - Partida de Ponte de Sor na carrinha do João;
  • 19:22h - O Pedro perguntou, pela 1ª vez, quando parávamos para comer;
  • 19:26h - O Pedro começou a cantar, de forma eufórica, as musicas infantis que estavam a passar nos desenhos animados que a Maria Clara ia a ver no telemóvel da Cátia;
  • 19:30h - O Pedro fez uma pausa na sua cantoria para perguntar, pela 2ª vez, quando parávamos para comer;
  • 19:41h - O Pedro perguntou, pela 3ª vez, quando parávamos para comer;
  • 19:45h - O Pedro perguntou, pela 4ª vez, quando parávamos para comer;
  • 19:52h - O Pedro perguntou, pela 5ª vez, quando parávamos para comer;
  • 20:08h - O Pedro adormeceu (finalmente);
  • 20:40h - O Pedro perguntou, pela 6ª vez, quando parávamos para comer. Admito que, por esta altura, eu já o apoiava porque a fome já apertava;
  • 20:42h - O Pedro perguntou, pela 7ª, 8ª e 9ª vez, quando parávamos para comer;
  • 20:48h - O Pedro perguntou, pela 10ª vez, quando parávamos para comer;
  • 21:05h - O Pedro perguntou, pela 11ª vez, quando parávamos para comer;
  • 21:11h - O Pedro perguntou, pela 12ª vez, quando parávamos para comer;
  • 21:16h - Parámos em Penela, perto de umas bombas de gasolina, para jantar. Enquanto arranjávamos as coisas para começar a comer, apercebemo-nos de que nos tínhamos esquecido de trazer pratos. Eu, a Cátia e o João comemos diretamente da travessa e o Pedro comeu na taça da Maria Clara. O jantar foi massa com atum, cogumelos e queijo gratinado que fez a minha mãe. Contudo, eu comecei a comer mais tarde que os restantes, isto porque tinha ido a uns arbustos ali perto verter águas. Como tal, fui o último a terminar de jantar, sendo que chegou a um ponto em que eles os 4 já estavam instalados no carro por causa do frio e eu estava sentado num muro, em frente ao carro, a comer da travessa. O Pedro começou a gozar comigo, a dizer que eu parecia um mendigo, e até me quis oferecer 0,30€ como esmola;
  • 21:45h - Arrancámos de Penela;
  • 23:10h - Chegada a Aveiro e arrumação das malas;
  • 00:20h - Dormida.
Sábado, dia 26 de janeiro de 2019
  • 08:00h - Alvorada e duche;
  • 09:00h - Discussão entre colocar uma caneca de cada vez no microondas ou colocá-las todas juntas. O Pedro defendeu que, se colocássemos todas as canecas no microondas, pouparíamos tempo. Porém, eu argumentei que, se as colocássemos todas juntas, o calor não ia chegar a uma parte das canecas porque umas iriam sempre tapar parte das outras. A Cátia e o João abstiveram-se da discussão;
  • 09:15h - Pequeno-almoço que foi bolo de chocolate feito pela minha mãe;
  • 09:34h - Eu lavei a louça;
  • 09:48h - Saída de casa a pé;
  • 10:00h - Chegada ao Parque da Macaca;



  • 10:30h - Passámos pelo Departamento de Biologia da universidade e seguimos pelo meio da universidade para que o Pedro, a Cátia e o João conhecessem o meu local de estudo;
  • 11:10h - Chegada a casa e pausa para xixi;
  • 11:18h - À saída de casa, o Pedro estava a comentar que, à uns tempos, tinha visto um documentário sobre Mirandela e sobre o mirandês ser uma língua oficial. Nisto, um senhor que passava por nós na rua, chegou-se ao pé de nós e começou a falar em mirandês. Foi muito curioso ter passado, naquele mesmo momento em que falávamos sobre o assunto, uma pessoa que sabia aquela língua, fomos surpreendidos. Após o sucedido, seguimos, de carrinha, para o centro de Aveiro;
  • 11:41h - Estacionámos perto da Ponte do Laço e seguimos, a pé, para a Praça do Peixe, onde estava a ser vendido peixe fresquinho e algum artesanato;

  • 12:18h - Entrámos no restaurante com vista para a ria de Aveiro "Jardim de Sabores & Alegria" onde eu comi bifinhos de peru com cogumelos, o Pedro comeu uma salada ibérica e o João e a Cátia comeram uma francesinha cada um;
  • 13:17h - Comprámos bilhetes para andar de moliceiro (o típico transporte da ria de Aveiro) numa loja chamada "Zeca". Cada bilhete custou 10€. Na compra de cada bilhete ofereceram-nos um ovo mole, típico doce aveirense feito com ovos e açúcar, e uma raiva, que é um biscoito típico da região;
Moliceiro
Ovos Moles
Raivas
  • 13:43h - Chegada à Ponte Laços de Amizade após termos caminhado à beira da ria pelo caminho ao lado do Fórum de Aveiro;
  • 14:00h - Inicio do passeio de moliceiro com um guia. Foi-nos informado que o barco típico de madeira de pinho tem o nome de moliceiro devido ao seu principal objetivo em tempos passados: o transporte de moliço, um fertilizante natural que era utilizado nos campos. Além disso, os moliceiros, podiam, ainda, fazer o transporte de mercadorias, animais e "gentes da ria". Disseram-nos, ainda, que a ria se chamava ria e não rio por ser constituída por água salgada proveniente do mar, sendo que os rios apenas possuem água doce;
Apanha do moliço
  • 14:15h - Passámos na zona mais cara de Aveiro onde o alojamento é, no mínimo, 700.000€;
  • 14:19h - Passámos pela Fábrica de Cerâmica de Aveiro onde são produzidas telhas;
  • 14:25h - Passámos na casa mais feia de Aveiro, segundo o mestre que guiava o nosso moliceiro: o edifício das Finanças;
  • 14:36h - Chegámos às comportas da ria, que mantêm o nível da água da ria, independentemente do nível da água do mar. Aqui, foi-nos possível observar montes de sal tapados e protegidos do sol, sendo as salinas mesmo ali pertinho;
  • 14:41h - O mestre do moliceiro informou-nos que a flor de sal, um aglomerado de cristais que se forma à superfície da água salgada em condições de temperaturas e radiações solares elevadas e vento suave, evita a tiróide e deve ser consumido em saladas frias pois é rico em iodo e magnésio e, aquecido, é prejudicial;
  • 14:43h - Passámos por um moliceiro que era guiado por um mestre que soprou num grande búzio, provocando um som estridente e funcionando como buzina;
  • 14:45h - O guia disse-nos que já tinham acontecido competições de remo na ria;
  • 14:48h - Chegada aos antigos armazéns de sal. Fomos informados que as salineiras, as mulheres que trabalhavam na indústria do sal, chegavam a transportar 60 quilos de sal na cabeça e que, passavam dos barcos para a margem através de cabos e com uma mão à cintura;
  • 15:06h - Fim do passeio de moliceiro;
  • 15:21h - Regressámos à loja "Zeca" para comprar lembranças;
  • 16:11h - Chegámos, de carrinha, ao Farol de Aveiro, na Praia da Barra, um local muito amplo, calmo e agradável;




  • 16:51h - Continuamos o nosso caminho (ainda de carrinha) até à Costa Nova. Porém, começou a fazer muito vento e frio. Decidimos então, regressar a casa e visitar a Costa Nova no dia seguinte;
  • 17:53h - Chegada a casa;
  • 18:21h - Comecei a fazer o jantar;
  • 18:55h - Jantar: Esparguete à carbonara. Após o jantar, ficámos todos a conversar um bocado na sala e, posteriormente, a Cátia e o João foram lavar a louça. O plano para a noite era irmos à praça buscar tripas de Aveiro (outro doce típico de Aveiro que se assemelha a um crepe mas é mais grosso e a massa é mais doce) e regressarmos a casa para ver um filme. Nisto, o meu padrinho pediu-me o computador para começar a procurar um filme;
  • 20:49h - Quando estávamos mesmo a sair de casa, a Beatriz Dias (uma amiga de infância) liga-me muito preocupada a dizer que eu não podia desistir dos meus sonhos por nada nem ninguém. Eu não estava a perceber nada da conversa até que ela me disse que tinha visto uma publicação minha no facebook... Foi ai que eu percebi tudo: o meu padrinho, que está sempre a fazer das suas, tinha colocado uma publicação no meu facebook (que estava aberto no meu computador), a dizer que eu ia desistir da universidade, quando estava, supostamente, à procura de um filme no meu computador;
  • 20:59h - Saída de casa de carrinha;
  • 21:12h - Tivemos de parar no supermercado "Pingo Doce" para comprar uma água especifica para a Maria Clara, visto que as outras lhe causam cólicas e a bebé estava com dores;
  • 21:40h - Regresso a casa para preparar a comida da Maria Clara;
  • 22:13h - Chegada às "Tripas da Praça" (de carrinha) e compra dos doces. O plano inicial era cada um comprar uma para si, porém, além dessas, comprámos, ainda, mais duas que dividimos pelos quatro. Eu sei, somos um bando de gulosos! O Pedro pediu uma tripa de Snickers, eu pedi uma tripa de Toblerone e o João e a Cátia pediram de ovos moles. Para partilhar pedimos uma tripa de Ferrero Rocher e outra de Kinder Bueno;
  • 22:53h - Chegada a casa e ceia de tripas. Acabámos por nos pormos a ver vídeos de fails para rir no YouTube;
  • 23:34h - Dormida.
Domingo, dia 27 de janeiro de 2019
  • 08:00h - Alvorada;
  • 08:39h - O Pedro e a Cátia foram à casa de banho dar banho à Maria Clara. Ou melhor, a Cátia estava a dar banho à Maria Clara porque o Pedro abria a porta de 30 em 30 segundos, punha a cabeça para fora da casa da banho e gritava algo para me provocar como "Digam não à reciclagem!", "Digam não à proteção dos animais marinhos!", "Vamos derramar petróleo nos oceanos!", etc. P.s.: Ele estava a brincar apenas para me provocar, ele também é bastante protetor da natureza;
  • 08:50h - O João estava a tomar banho e o Pedro foi-lhe apagar a luz da casa de banho para "poupar";
  • 09:30h - Pequeno-almoço que foi o resto do bolo de chocolate. O Pedro lavou a louça;
  • 09:45h - Análise de músicas infantis que estavam a passar nos vídeos que a Maria Clara estava a ver no tablet. Chegámos a conclusão que a maior parte das músicas não faz sentido;
  • 10:11h - Saída de casa de carrinha;
  • 10:34h - Chegada a Costa Nova e passeio, a pé, pela cidade;



  • 12:00h - Saída da Costa Nova;
  • 12:23h - Paragem no McDonald perto da Universidade de Aveiro e compra do almoço;
  • 12:52h - Chegada a casa, almoço e o Pedro, a Cátia e o João arrumaram as malas de viagem;
  • 14:06h - Saída de casa de carrinha;
  • 14:23h - Chegada à Praça do Peixe, onde decorria uma feira de antiguidades;
  • 15:08h - Fomos a uma casa de chá chamada "Doce Infusão";
  • 15:42h - O Pedro, a Cátia, o João e a Maria Clara seguiram para Ponte de Sor na carrinha do João e eu fiquei em Aveiro para estudar.
Foi, sem dúvida, um fim-de-semana bem passado com a melhor companhia no qual conheci imensos locais fantásticos que nunca tinha visitado. Que venha a próxima aventura!

23/09/2018

A verdade por trás da indústria de lacticínios!

À semelhança de outros mamíferos fêmeas, as vacas só produzem leite quando engravidam ou têm uma cria recém-nascida para amamentar. Isto gera um problema para a indústria de lacticínios, industria da qual hoje vos vim falar, sendo que há sérios problemas que devem ser abordados sobre este tema, como, por exemplo, os maus tratos e as más condições de vida das vacas leiteiras.
Irei começar o desenvolvimento deste tema com a seguinte pergunta: "Se as vacas só produzem leite quando engravidam ou têm uma cria recém-nascida para amamentar, o que faz a indústria de lacticínios para estimular a produção de leite?". Alguém tem alguma ideia? Primeiramente os bois são estimulados e masturbados, por obra de mão humana ou ejaculadores elétricos que são introduzidos no anûs do animal até que este ejacule.
Boi a ser masturbado

Pénis de um boi a ser masturbado

Ejaculador elétrico

De seguida, as vacas são inseminadas artificialmente, ou seja, o sémen de boi é injetado no colo do útero das fêmeas através de um longo tubo que lhes é introduzido na vagina, de forma a que estas fecundem e fiquem prenhas. Por vezes, os trabalhadores introduzem o punho no anûs das vacas, para que, desta forma, a zona genital fique dilatada e o processo se tornar mais eficaz. Este processo é iniciado assim que as vacas leiteiras atingem os 12 meses de idade e, depois, repetido várias e várias vezes, de forma a que estas continuem a produzir leite. 

Quando a cria nasce, o bezerro é retirado imediatamente de perto da progenitora e enjaulado. E vocês perguntam-se porquê? Porque caso ficasse perto da mãe, o bezerro iria alimentar-se do seu leite. Se a cria for um macho, este segue para o matadouro para que a sua carne comece a ser comercializada. Penso que são capazes de adivinhar o que acontece caso a cria seja uma fêmea... Exato, é transformada numa máquina de leite, tal como a sua mãe. 
Vaca a correr atrás da sua cria enjaulada

As vacas são, assim, mantidas prenhas repetidamente durante toda a sua vida, o que lhes traz consequências como envelhecimento precoce, exaustão e mastites (inflamação da glândula mamária).  Estas mastites podem conduzir a uma inflamação e infeção das tetas do animal, fazendo com que esta expele sangue e pus juntamente com o leite, tendo depois de ser filtrado. Quando as vacas desfalecem ou deixam de produzir leite são vendidas aos matadouros.

Mastites bovinas

Já conheciam a verdade por trás da indústria de lacticínios? É essencial dar a conhecer esta realidade a todos e divulgar os métodos incorretos e cruéis com que estes animais são sacrificados todos os dias para que tenhamos leite na mesa sempre que quisermos.